O Office of Strategic Capital, do Pentágono, assumiu em 16 de junho compromisso condicional de US$ 500 milhões para a expansão do midstream de terras raras pela Phoenix Tailings, ancorando um pacote de financiamento de cerca de US$ 1 bilhão, com a outra metade vinda de capital privado, voltado a uma nova planta de separação e metalização em New Hampshire e à ampliação dos sítios de metalização existentes da empresa em Burlington, Massachusetts, e Exeter, New Hampshire [Mining.com, 16 de junho de 2026; Metal Tech News, 16 de junho de 2026]. O projeto, batizado de Freedom Facility, foi desenhado para processar matérias-primas de naturezas variadas (concentrados de mina, material reciclado e fontes secundárias) e produzir metais de terras raras leves e pesadas, com início de operações previsto para 2028 [Mining.com, 16 de junho de 2026].
É o segundo compromisso federal com capacidade norte-americana de terras raras em duas semanas. Em 3 de junho, a USA Rare Earth formalizou acordos definitivos com o Departamento de Comércio sob o CHIPS Program que liberam até US$ 1,6 bilhão em recursos federais e em capacidade de crédito sênior garantido, com desembolsos atrelados a marcos do projeto [Mining.com, 3 de junho de 2026; Tantalum, 16 de junho de 2026]. O dinheiro do CHIPS fica na ponta de ímãs da cadeia. A Freedom Facility fica no meio, na etapa que converte concentrados e sais metálicos nos metais de terras raras passíveis de uso em ligas que os fabricantes de ímãs precisam. A Phoenix também foi selecionada separadamente, em 4 de junho, para um grant de US$ 66 milhões do Rare Earth Demonstration Facility Program do Department of Energy, ancorando um projeto de US$ 147,8 milhões com o MIT e a University of Minnesota para escalar tecnologias de próxima geração de separação sobre matérias-primas domésticas diversas, com base nos sítios de metalização existentes da empresa [Phoenix Tailings via Manila Times, 4 de junho de 2026; Mining Weekly, 5 de junho de 2026].
O diretor do OSC, David Lorch, definiu separação e metalização como “áreas de escassez-chave que precisam ser endereçadas com rapidez” [Mining.com, 16 de junho de 2026]. Lidos em conjunto com a cobertura de ontem sobre o índice da CREIA atingindo 252,8 em 15 de junho e o offtake de 15 anos da Serra Verde para um veículo do governo dos Estados Unidos [Tantalum, 16 de junho de 2026], desenha-se uma arquitetura federal: offtake ancorado no governo no upstream, capacidade de dívida e subsídio federal no meio, CHIPS no downstream.
Brasil
A mesma quinzena no Brasil tem leitura diferente. Em 15 de junho, a Resouro Strategic Metals divulgou a Avaliação Econômica Preliminar (PEA) do projeto Tiros, no norte de Minas Gerais. O caso inicial é uma operação de 500.000 toneladas por ano, produzindo cerca de 90.000 toneladas de concentrado de dióxido de titânio e 3.636 toneladas de óxido de terras raras totais em carbonato misto de terras raras, com vida útil inicial de 20 anos, contra um recurso medido e indicado de 1,4 bilhão de toneladas a 12 por cento de TiO2 e 4.000 ppm de TREO. VPL pós-impostos a 8 por cento de US$ 714,9 milhões; TIR pós-impostos de 44,2 por cento [Mining.com, 15 de junho de 2026]. O valor de mercado da companhia é de C$ 34 milhões [Mining.com, 15 de junho de 2026]. O depósito é grande. A estrutura de capital para levá-lo à produção ainda não está visível.
Na outra ponta da cadeia, a Defense Logistics Agency norte-americana firmou em 9 de abril de 2026 um contrato-base de cinco anos (SP8000-26-D-0007) com a CBMM North America Inc. para ferro-nióbio grau vácuo, com ordem de tarefa inicial de US$ 10 milhões a preço fixo firme (SP8000-26-F-0017) e período de pedidos que se encerra em 5 de abril de 2031 [DoD Contracts, 9 de abril de 2026]. A imprensa do setor situa a intenção mais ampla de solicitação da DLA em até US$ 160 milhões e cerca de 584,3 toneladas de ferro-nióbio grau vácuo para o estoque estratégico ao longo da vida do contrato, a trajetória que a ordem de tarefa inicial abre [The Metalnomist, 6 de junho de 2026]. As importações americanas de ferro-nióbio grau vácuo foram de 548 toneladas em 2025, integralmente do Brasil [The Metalnomist, 6 de junho de 2026]. O Brasil respondeu por cerca de 93 por cento da produção global de nióbio em 2025 [The Metalnomist, 6 de junho de 2026]. A CBMM segue sendo o fornecedor de referência; a liga cruza a fronteira como matéria-prima para aços especiais e ligas aeroespaciais dos Estados Unidos.
Empilhe os dois eventos. A Resouro avisa ao mercado sobre mais um recurso brasileiro da casa de bilhões de toneladas. A DLA assina um pedido de compra de cinco anos para um metal brasileiro que os Estados Unidos não conseguem reproduzir em escala. Os dois reforçam o mesmo padrão: o Brasil supre o upstream e o intermediário passível de uso em ligas; o processamento midstream de terras raras e a manufatura downstream de ímãs são construídos nos Estados Unidos. A Linha de Crédito do Plano Brasil Soberano de R$ 15 bilhões e o FIP de Minerais Críticos de R$ 1 bilhão ancorado pela Vale, ambos desenhados para financiar processamento doméstico, ainda não aparecem dentro do caminho do Tiros até a produção [ver Tantalum, 13 de junho de 2026 e 16 de junho de 2026].
Estados Unidos
O valor da Freedom Facility dentro da arquitetura federal está em sua agnosticidade quanto à matéria-prima. A mesma planta pode receber concentrado de Mountain Pass, carbonato misto da Serra Verde, fluxo de ímãs reciclados e resíduo de rejeitos, e converter qualquer um deles em óxidos separados e metais de terras raras. Essa é a opcionalidade que o lado upstream da estratégia precisa. Os Estados Unidos têm Mountain Pass em operação. Os Estados Unidos estão prestes a ter o offtake de disprósio e térbio da Serra Verde via veículo da USAR, assim que o fechamento previsto para o terceiro trimestre de 2026 se concretizar [Tantalum, 16 de junho de 2026]. O que faltava aos Estados Unidos era um destino para esses fluxos que não fosse uma planta de separação chinesa. O anúncio da Phoenix é a resposta federal a essa questão. Se vai executar até 2028 é a próxima leitura.
China
A dominância chinesa no processamento é a linha de base de comparação, amplamente citada em cerca de 90 por cento da produção mundial de terras raras separadas [Yahoo Finance, 16 de junho de 2026]. Os controles de exportação de outubro de 2025 e o vencimento da suspensão em 10 de novembro de 2026 permanecem como o pano de fundo regulatório com maior probabilidade de testar a construção de capacidade ocidental antes de ela estar pronta [Mining Technology, maio de 2026]. O índice doméstico da CREIA, que marcou 252,8 em 15 de junho, está concentrado em terras raras pesadas, exatamente as mesmas químicas que a Phoenix e a Serra Verde agora estão contratadas para entregar fora da China [REEx, 15 de junho de 2026].
O que observar
- Fechamento financeiro do empréstimo condicional de US$ 500 milhões do OSC. O comunicado da Phoenix sinalizou due diligence adicional customária como condição prévia [Mining.com, 16 de junho de 2026]. A data de fechamento é o primeiro marco firme.
- Financiamento da Resouro. A etiqueta de US$ 1 bilhão do PEA implica salto frente a um valor de mercado de C$ 34 milhões. Observe parceiros de streaming, dívida governamental, ou um offtake estratégico semelhante à arquitetura USAR-Serra Verde.
- Execução do contrato CBMM-DLA a preço fixo. Um contrato plurianual de estoque de ferro-nióbio a preço fixo estabelece uma linha de base soberana dos Estados Unidos sobre um insumo brasileiro; a deriva de preços no mercado mais amplo testará o spread.